A Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) não poupou críticas à proposta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de criar um selo para reconhecer os institutos cujas pesquisas mais se aproximarem dos resultados oficiais das urnas. Em nota, a entidade afirmou que a iniciativa parte de uma compreensão equivocada sobre a finalidade das pesquisas eleitorais, que medem a intenção de voto no momento em que são realizadas e não representam previsões ou promessas de resultado.

Para a ABEP, que reúne empresas de pesquisas de mercado, opinião e mídia e atua na promoção de padrões de qualidade e boas práticas no setor, exigir que uma pesquisa 'acerte' o resultado é confundir ciência com bola de cristal. A entidade destacou que, entre a realização das entrevistas e o dia da votação, os eleitores podem mudar de opinião, deixar de comparecer às urnas ou alterar seu comportamento eleitoral. Isso torna impossível prever com certeza o resultado das eleições, especialmente em um estado como São Paulo, onde a diversidade de opiniões e preferências é notável.

A proposta do TSE foi apresentada como uma forma de aumentar a confiabilidade das pesquisas eleitorais, mas a ABEP argumenta que isso não resolve o problema da complexidade dos processos eleitorais. Além disso, a entidade questiona como o TSE pretende medir a proximidade entre as pesquisas e os resultados oficiais, considerando que os métodos e amostragens utilizados pelas empresas de pesquisa podem variar significativamente.

A discussão em torno da proposta do TSE acontece em um momento em que a confiabilidade das pesquisas eleitorais está sob escrutínio. Em São Paulo, onde as eleições são sempre disputadas e os resultados podem ser influenciados por uma variedade de fatores, a precisão das pesquisas é fundamental para entender o humor do eleitorado. No entanto, a ABEP alerta que a busca por uma 'bola de cristal' que possa prever com certeza o resultado das eleições é uma ilusão, e que o que realmente importa é a qualidade e a transparência dos métodos utilizados pelas empresas de pesquisa.