A cidade de São Paulo é conhecida por ser um polo de inovação e tecnologia, mas, de acordo com a nova diretora da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), Anna Reali, o Brasil ainda está longe de ser um líder em desenvolvimento de inteligência artificial. Em uma entrevista exclusiva, a professora de 63 anos explicou que o país ainda atua como fornecedor de matéria-prima, seja física ou digital, e forma profissionais sem um projeto claro de desenvolvimento.
Para ilustrar seu ponto de vista, Anna Reali usou uma metáfora interessante: 'É como se estivéssemos vendendo cacau e banana em vez de fazer chocolate e banana split'. Ela argumenta que o Brasil tem todos os ingredientes necessários para desenvolver uma indústria de inteligência artificial robusta, mas ainda não conseguiu criar um produto final de valor. 'Precisamos mudar essa mentalidade e começar a desenvolver nossas próprias soluções', afirma.
A diretora da Poli-USP também destacou a importância de utilizar dados do Sistema Único de Saúde (SUS) para desenvolver soluções de inteligência artificial que possam melhorar a saúde pública no país. 'Temos uma riqueza de dados no SUS que pode ser utilizada para desenvolver soluções inovadoras', diz. No entanto, ela critica a falta de investimento em pesquisa e desenvolvimento no setor de saúde, o que impede o país de aproveitar todo o potencial desses dados.
A visão de Anna Reali para o desenvolvimento de inteligência artificial no Brasil é ambiciosa, mas ela está confiante de que é possível. 'Quero desenvolver minha IA aqui, não só comprar das grandes', afirma. Ela acredita que a Poli-USP pode desempenhar um papel fundamental nesse processo, formando profissionais capacitados para desenvolver soluções inovadoras e colaborando com empresas e instituições de pesquisa para criar um ecossistema de inteligência artificial robusto em São Paulo e no Brasil.