No dia 1 de julho de 1876, Mikhail Bakunin, um dos principais nomes do anarquismo, fechou os olhos pela última vez. Seu funeral, realizado dois dias depois na cidade suíça de Berna, foi marcado por piadas dos coveiros sobre a profundidade da cova e o tamanho do caixão, que refletiam a grandeza física e histórica do homem que estava sendo enterrado. Mas, apesar da morte de Bakunin, o anarquismo não morreu. Pelo contrário, continua a ser uma força viva, apesar de tímida, em muitos países, incluindo o Brasil.

Em São Paulo, por exemplo, o anarquismo tem uma longa história, com muitos movimentos e organizações que se inspiram nas ideias de Bakunin. Desde os sindicatos operários do início do século XX até os movimentos sociais atuais, o anarquismo tem desempenhado um papel importante na luta por justiça social e igualdade. Embora muitas dessas organizações não sejam explicitamente anarquistas, elas compartilham muitos dos princípios e valores que Bakunin defendia, como a autonomia, a solidariedade e a crítica ao poder estabelecido.

Um exemplo disso é o movimento dos sem-teto, que tem sido uma das principais forças sociais em São Paulo nos últimos anos. Com sua ênfase na autogestão e na organização comunitária, o movimento dos sem-teto reflete muitos dos princípios anarquistas. Além disso, a luta dos sem-teto por moradia digna e contra a especulação imobiliária é um exemplo clássico da luta contra o poder estabelecido, que é um dos pilares do anarquismo. Outro exemplo é o movimento estudantil, que tem sido uma das principais forças de oposição ao governo em São Paulo. Com sua ênfase na democracia participativa e na crítica ao autoritarismo, o movimento estudantil também reflete muitos dos princípios anarquistas.

Mas, apesar da presença do anarquismo em muitos movimentos sociais, é importante notar que o anarquismo como ideologia política é ainda uma força tímida no Brasil. Isso se deve, em parte, à falta de conhecimento sobre a história e os princípios do anarquismo, bem como à confusão comum entre anarquismo e caos ou desordem. No entanto, com a crescente desilusão com a política tradicional e a busca por alternativas mais participativas e igualitárias, é possível que o anarquismo continue a crescer e se fortalecer no Brasil, especialmente em cidades como São Paulo, que têm uma longa história de luta social e política.